(Re)nascer aos 30: Depois de um pé na bunda, Cacau Ribeiro olhou para o retrovisor e viu que o caminho que havia traçado não a levaria ao "arco-íris". Muitos carimbos no passaporte e (re)descobertas depois, ela renasceu. Clique aqui e acompanhe do começo.

Sobre viajar na maionese, dia 2

12.09.2017

 

São Paulo nunca foi um destino que fez parte da minha listinha de cidades para conhecer. Mas, como o bilhete de saída para meu próximo destino partia de São Paulo no dia 10 e o trecho Fortaleza-São Paulo para esta data estava caro, resolvi chegar alguns dias antes em São Paulo e dar uma chance para a cidade de concreto. Lá fiquei na casa de uma prima, que é a mãe da também minha prima Ana (e de uma menina linda chamada Marcia).  

 

Ana é uma pequena de 5 anos de olhos grandes, bochecha gordinha e um cabelo preto e lisinho que vai até o ombro. Ela fala de um jeito articulado, gracioso e serelepe e passa a maior parte do tempo fazendo o que toda criança ama fazer: brincar.

 

Eu, é claro, acabei observando e/ou brincando junto e a folia ficou maior depois que o Juninho, também conhecido por Super-homem e que é uma figura a parte, chegou para completar a bagunça. E como estou na vibe refletir, seguem algumas das minhas viagens:

- Polly e outros brinquedos que retratam o mundo como miniaturas fofinhas não são de Deus. É viciante, empobrece as mães e torna adultos crianças novamente.

- Baby Alive tem prisão de vente,  algumas ficam entupidas. Coincidência ou não, a boneca que passava por este problema tinha a cara de aborrecida e seus cabelos estavam para cima, como se ela tivesse sido eletrocutada. Ou seja, prisão de ventre é realmente algo sério e deixa qualquer mulher louca. Homens, não esqueçam disto!

 

Reflexões "de pagode" a parte, Aninha pediu para brincar de piscina no domingo. A piscina, aquelas de plástico redonda e pequena que você enche no sopro, foi colocada dentro do box. Lá ela ficou por algum bom tempo.

 

Da porta do meu quarto, enquanto arrumava as coisas para viagem, via Aninha dando vários "tibuns" na pequena piscina.

 

Ela dizia: - Prima, brinca comigo!

 

Ainda ensaiei colocar os pés na piscina para não dizer não ao pedido fofinho, mas realmente não tinha a pretenção de entrar lá. Não entrei. O que não impediu Ana de continuar desfrutando dos seus "tibuns".

 

Agora, já em outra mesa de avião, lembrando de forma saudosa de São Paulo, pergunto-me e deixo a pergunta também para você: quando e por que deixamos de ser Aninha?

 

Não falo da fofura, realmente nem todos conseguem garantir que a fofura seja parte de sua vida ou não conseguem índices tão altos quanto Aninha.

 

Refiro-me a: quando deixamos de viajar na maionese, de nos jogarmos nas nossas pequenas piscina com tudo? Quando deixamos de aproveitar os pequenos e apaixonantes "tibuns" da vida?

 

Lembrando agora de uma São Paulo que me parece bem mais encantadora do que antes, não tenho muito para falar sobre o concreto, dos preços da 25 de março, dos barzinhos legais. Depois de uns dias convivendo com uma família linda e de ter visto nas ruas tantos contrates, energia, suor, história, autenticidade e um colorido que teima em vencer o cinza, fico feliz por estar reencontrando e não deixando passar os "tibuns" que Deus está delicadamente deixando no meu caminho.

     

Sim, vou visitar destinos dos sonhos, eu sei. Mas, também sei que quando mais forte se mira no grande mais rápido e de forma mais cega esquece-se de que a vida e a felicidade estão nas pequenas coisas e no quanto é importante identificarmos, valorizamos e aproveitamos os milagres que estão na frente do nosso nariz, não importa onde estejamos. Não importa quantos carimbos seu passaporte tem ou quantos diplomas, promoções e dinheiro você conquistou. Se você não lembrar disso, seu vazio será algo imensurável.

 

Que eu, você e Aninha nunca esqueçamos disto!

 

P.S: Está cada vez mais difícil controlar meus instintos de Felícia, mas fui forte e lembrei do tamanho do pai da Aninha.

 

Veja o Dia 3 clicando aqui.

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