(Re)nascer aos 30: Depois de um pé na bunda, Cacau Ribeiro olhou para o retrovisor e viu que o caminho que havia traçado não a levaria ao "arco-íris". Muitos carimbos no passaporte e (re)descobertas depois, ela renasceu. Clique aqui e acompanhe do começo.

Sobre fugir, dia 11

17.03.2018

 

Quando um relacionamento termina é natural entrarmos pela fase de negação (saiba mais em Fases do Luto). Eu, que sempre fui de passar por esta etapa super rápido por causa do lema "o mundo não para que você cole seus pedaços",  ficava e enfrentava o que tivesse que vir.

 

Quando decidi fazer esta viagem, uma parte de mim falava em alto e bom som que eu estava errada, que eu estava fugindo dos problemas e estava sendo covarde. A outra parte dizia "vai, não pense, apenas vá".

 

Durante a jornada foi possível perceber que os problemas realmente nos seguem, estão lá sempre marcando presença. Como nuvem carregada em um céu ensolarado é possível sentir o abafado, o receio de ficar molhada, o medo do frio, o medo de ficar doente.

 

Já quase embarcando para o Brasil, a tempestade parecia ser certa: pensar em questões financeiras, profissionais, vender apartamento e encontrar onde morar, a violência, a falta de qualidade de vida e tantas outras coisas ainda não definidas ou que não estão 100% sob meu controle era angustiante. 

 

Foi também estranho observar a calmaria que vinha do lado oposto à tempestade. Meus últimos dias em Roma foram de paz: nada de ponto turístico, metrô, ônibus e fotos. Aproveitei mesmo o sofá quentinho, o chocolate maravilhoso, a comida da prima, as conversas, o vinho e as tardes de corrida no parque.

 

As 16:00 subia algumas ruas, colocava o fone, ligava a minha playlist e começava meu momento fitness (mais andava que corria, confesso que sou uma fitness fajuta! :).  A sensação que tinha, ao observar a vida acontecendo naquela praça, é que o mundo parava no final da tarde para que as pessoas curtissem os filhos, fizessem atividade física ou apenas sentassem com os amigos para jogar papo fora. Escutava um relâmpago lá longe quando tentava transferir esta realidade para minha vida em Fortaleza. Afinal, de onde venho parece não ser tão simples poder fazer isso.

 

Não, este não é um texto sobre o quanto o Brasil é um pais violento, cheio de desigualdades sociais e o quanto está cada vez pior "sobreviver". Um pais em que  qualidade de vida ou trabalhar com o que se ama é coisa de rico. Ao voltar para casa, carregava, além da nuvem negra, minha essência de revolucionaria. A Cacau, criança e adolescente que acreditava em um mundo melhor, estava cada vez mais viva.

 

Se é preciso ser uma revolucionária para encontrar um caminho em que é possível ter paz e tempo para os meus, mesmo trabalhando, prendam-me. Se é preciso ser louca para andar de bicicleta, correr na praia, aproveitar uma praça ou andar nas ruas internem-me ou matem-me. Julguem-me! Voltei decidida a superar o pânico de sair de casa e cheia de esperança  de que o equilíbrio entre trabalho e qualidade de vida existe.

 

Sabe aquela voz que disse "você está fugindo" e aquilo que fazia-me estremecer ao pensar em voltar para casa? O nome dela é medo (falei até sobre ele neste texto aqui). Ela está sempre comigo, mas nem sempre preciso escutá-la. Quando ela diz "tempestade" tento lembrar que mesmo que nuvens carregadas de chuva me alcancem, há também grandes e gostosos períodos de sol: ou porque a chuva parou ou porque consegui correr e chegar na parte que não está coberta pelas nuvens.    

 

Voltei com esta e com uma outra certeza: não, não deve-se fugir dos problemas. Mas, faz parte da evolução entender quando é hora de bater em retirada para voltar mais forte e mais preparado para enfrentar a próxima batalha. Munida de capa de chuva, de abrigo pronto e barriga forrada, estou voltando. 

 

Que recomecem os jogos!

 

Fim ................................??????????

 

Na verdade, este é o começo do começo.

Depois de passar alguns meses no Brasil, vim para Ásia.

Isso mesmo, lá do outro lado do mundo. 

As primeiras 11 crônicas estão aqui e as demais complementarão o livro que terá o mesmo nome desta sessão: Renascer aos 30. 

 

Apoie-me contribuindo com a vaquinha do livro, ajude-me a torná-lo realidade e garanta já o seu.

 

Ahh, não deixe de me seguir no insta: cacautells. Lá você consegue acompanhar os bastidores desta aventura.

 

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