(Re)nascer aos 30: Depois de um pé na bunda, Cacau Ribeiro olhou para o retrovisor e viu que o caminho que havia traçado não a levaria ao "arco-íris". Muitos carimbos no passaporte e (re)descobertas depois, ela renasceu. Clique aqui e acompanhe do começo.

Sobre estar sozinha, dia 7

29.09.2017

 

Acordei as 10:30 no meu primeiro amanhecer aqui. Todos já haviam saído para um tour guiado (grátis) que sairia da praça do Parlamento. Eu estava sozinha, chateada por não ter acordado (a culpa é desta cama, não sei como ela consegue fazer isso comigo!) e não tinha nenhuma ideia do que faria até as 18:00 (horário que começaríamos a trabalhar).

 

Peguei o celular, pesquisei um local que queria visitar, tomei banho, troquei de roupa, comi e coloquei o meu melhor amigo europeu na cabeça, meu fone de ouvidos sem fio (que foi super barato, aceito encomendas!). Foi a hora de ouvir mais uma vez a playlist que carinhosamente chamo de Estou de Volta.

 

Um mês antes do dia 12 de junho, lá estava eu sofrendo de véspera. Eu achei que não teria forças para enfrentar "sozinha" este dia. Mas, no bendito dia 12, acabei falando com uma pessoa que não via há muito tempo. Falamos sobre os limões da vida e depois rimos bastante. Ele me fez lembrar de quem eu era antes de tudo acontecer. Desliguei a ligação e comecei a procurar as músicas que eu escutava quando eu era adolescente e mais outras músicas de outros períodos importantes da minha vida: voltei a época em que eu acreditava que era capaz de tudo. O dia 12 terminou e eu não havia morrido, na verdade há tempos não me sentia tão viva!

 

Nunca fui uma pessoa de fazer coisas sozinha. Mesmo quando eu viajo só, acabo por fazer amigos e faço tudo com eles. Aqui estou conhecendo pessoas que divertem-se sozinhas tanto quanto acompanhadas, estou aprendendo muito. Naquela manhã, decidi que faria o que meus companheiros de trabalho fariam: coloquei a cara no mundo.

 

Lá fomos eu e minha trilha sonora. Desci as escadas, tirei uma selfie no espelho da portaria, abri a porta e fui para a rua. Minutos depois, a mesma construção que me fez abrir um sorriso na noite anterior (do tipo, criança ganhando a primeira bicicleta) estava lá. Ela já não precisava de luzes artificiais e o sol de meio-dia não era capaz de impedir que o conjunto de construções que formam a mais famosa acrópole do mundo, a Acrópole de Atenas, chamasse atenção (acrópole é o nome dado a cidades construídas em locais altos, para que fosse possível proteger-se de inimigos). 

 

Alguns passos depois, é possível ver uma outra construção majestosa, embora menor e mais discreta, o Templo de Hefesto (o templo grego mais bem preservado). Passo a passo obras de arte antigas concorriam com o colorido do grafite das ruas, o metrô e a correria cinza de uma cidade moderna. Comprei meu ingresso para visitar o templo e aumentei o volume dos fones.Eu e Atenas, que agora chamo carinhosamente de Areia Demais passamos uma tarde ótima. Já quase no final do dia, ela me disse: 

 

- Esta sou eu: complexa, imponente e persistente. Mas é preciso "muito caminhão" para ser capaz de "entender" isso aqui. Há quem diga que sou uma bagunça e eu já não perco meu tempo tentando ensinar "filosofia" para "formiga". Se eles são felizes assim, que sejam felizes.

 

Eu e minha trilha sonora poderosa pensamos: - Isso mesmo! Você não está sozinha. Na verdade, nunca estamos!

 

 

P.S: Tróia foi o filme do Brad Pitt responsável por me fazer consumir tudo o que eu via pela frente sobre Mitologia Grega. Ahh, como era lindo o calcanhar do lindo grego Aquiles!  ;) 

Se não entendeu o porquê da resposta, ver dia anterior do Diário, clicando aqui

 

Veja o Dia 8, clicando aqui

 

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