(Re)nascer aos 30: Depois de um pé na bunda, Cacau Ribeiro olhou para o retrovisor e viu que o caminho que havia traçado não a levaria ao "arco-íris". Muitos carimbos no passaporte e (re)descobertas depois, ela renasceu. Clique aqui e acompanhe do começo.

Sobre sentir, dia 10

04.12.2017

Quando uma relação acaba, perde-se o emprego ou algo ruim acontece é lógico que passaremos por dias difíceis. Tristeza, falta de esperança e até a bendita depressão podem acompanhá-lo por um tempo.

 

Mas, de alguma forma, há um acordo silencioso que parece dizer: não seja fraco, você precisa mostrar ao mundo que nada poderá vencer você.

 

Entre questionamentos de como você está ou como tudo aconteceu, é possível perceber nas entrelinhas que espera-se uma reação, que você precisa sair desta e rápido.

 

O mundo corporativo diz  "separe o pessoal do profissional" e  as pessoas ao redor parecem dizer "não temos paciência para choro, sofrimento e infelicidade". Se o roteiro da sua vida continua insistindo em cenas com bastante lágrimas, sofrimento e dias de bad o público não assistirá até o final, o seriado será cancelado.

 

Hoje é minha última noite na Grécia. Pedi uma festa de despedida e para terminar com chave de ouro propus que fizéssemos uma festa bem grega: músicas típicas, dança e quebradeira de pratos.

 

Quebrar pratos como forma de demonstrar sentimentos faz parte da cultura grega. Há muitas teorias sobre a origem deste costume, mas com prato ou sem prato é incrível como nas pequenas discussões de casais as pessoas parecem "vomitar" tudo o que sentem. Nunca vi também uma língua com tantos palavrões.

 

Durante a festa, quebrei até mais que os 10 pratos que comprei (sobraram até para os pratos que usaríamos no jantar). Como uma louca que não podia conter o prazer de jogar mais um no chão, fui quebrando prato por prato. Enquanto alguns vizinhos olhavam pela janela, os meus amigos de trabalho riam e protegiam-se. Quando não havia mais o que quebrar, o que sentia era um "mar de alívio".

 

A verdade é que não somos robôs e que ligar ou desligar sentimentos não faz com que eles deixem de existir. Como poeria velha deixada debaixo do tapete, a sujeira continua lá. Seja por alegria, dor ou raiva,  pratos precisam ser quebrados tão logo a vontade apareça e enquanto a paz não estiver presente. Porém, faça isto seguindo as seguintes orientações: 

 

- Há quem não esteja preparado para acompanhar sua quebradeira e achará que você é louco e/ou fraco. Não convide essas pessoas para sua festa.

- Alguns locais simplesmente não aceitam que isto aconteça. Se você quer sentir-se mais humano e menos robô talvez precise sair de onde está. Traduzindo: mude de emprego.

-  Cuidado para não machucar ninguém. Faça para seu alívio, faça para sentir-se humano. Mas, não faça se isso fará de você um homem das cavernas.

 

Depois de 30 dias nesta cidade que devolveu para mim o meu melhor, aprendi que não conseguimos fingir ser máquinas por muito tempo, mas que nem todo mundo continua sendo humano. 

 

Aprendi que não sentir e/ou refletir gera um débito que um dia será cobrado, e bem cobrado, pelo corpo e pela alma: este corpo que continua sendo humano e adoece; esta alma que é luz, mas que também é um tanto de escuridão.

 

E você, tem quebrado seus pratos?

 

Veja o texto 11, clique aqui.

 

 

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