(Re)nascer aos 30: Depois de um pé na bunda, Cacau Ribeiro olhou para o retrovisor e viu que o caminho que havia traçado não a levaria ao "arco-íris". Muitos carimbos no passaporte e (re)descobertas depois, ela renasceu. Clique aqui e acompanhe do começo.

Sobre propósito, dia 9

23.11.2017

 

O que fazer depois de uma demissão?

 

A resposta parece obvia: procure outro emprego. Mas, e se o "emprego dos sonhos" parece não existir?

 

Sonha-se em ter carteira assinada, trabalhar de segunda a sexta, ter um bom salário, crescer na empresa etc. Além da satisfação pessoal por ter conquistado uma carreira, a realidade brasileira e a sociedade (e você, é claro!) são implacáveis: se você não prosperou no trabalho, não adquiriu bens (casa, carro, casa de praia etc.) sua vida foi em vão.

 

São sete horas da noite em Atenas. Eu já trabalhei, corri pelas ruas cheias de turistas (acho até que já virei uma atração!), curti mais um fantástico pôr do sol, comi uma boa salada Grega e estou escrevendo para você.

 

Trabalho em uma startup cujo produto (um site/aplicativo de educação de línguas) está em fase de prototipação. Enquanto alguns alimentam o site, eu faço o Planejamento de Marketing da empresa. Ao meu lado: linguistas, artistas plásticos, programadores, músicos, fotógrafos etc. Somos profissionais de todos os tipos e de várias partes do mundo. A maravilhosa economia compartilhada nos uniu através de um site chamado Workaway.

 

Você paga uma inscrição anual e pode aplicar para vagas de todo tipo em troca de hospedagem. Levando-se em consideração o valor da diária em Atenas, a nossa carga horária de trabalho (exatas quatro horas, cinco vezes por semana) estávamos sendo muito bem pagos. Além disso, a experiência de trabalhar em projetos como este e poder interagir com profissionais de todos os tipos é algo que não tem preço.

 

As onze da manhã, enquanto sentava na minha mesa de trabalho usando meu look "estava há pouco na cama", alguém chegou enrolado no cobertor, o amigo Chileno comia uma banana e meu chefe tirava dúvidas de alguém que começou o trabalho há poucos dias. Muito feliz, o brasileiro (professor de arte)  que está há quase um ano viajando pelo mundo, contava que ganhou 35 euros na noite anterior. Umas cinco vezes por semana ele toca em frente ao Parlamento por uma hora enquanto as pessoas admiram seu trabalho e jogam moedas na caixa do instrumento que ele usa.

 

Nunca pensei que algo assim seria possível. Depois de 17 anos trabalhando nos moldes seja "formiguinha" e vá em frente, trabalhe o máximo que puder, não temos a perder etc. Ver que era possível ser produtivo, criativo e ter qualidade de vida encheu-me de esperança. Sim, é possível. Sim, há outras formas. 

 

Lembrei da fábula da formiga e da cigarra. Na história, a formiga, que fora humilhada durante o verão por trabalhar muito enquanto a amiga cigarra aproveitava a estação e cantava, acaba "rindo por último".  Já que a cigarra nada trabalhou, não possui nenhuma comida estocada.

 

Lembrei que durante muito tempo na minha vida acreditei que não existia espaço para "cantar" e que cada momento do verão deveria ser de trabalho árduo. Afinal, ninguém quer "passar fome no inverno". Lembrei também de quando me dei conta que mesmo tendo "acumulado comida" tinha a sensação sufocante de que algo estava faltando.  

 

Não é certo que a cigarra apenas aproveite o verão e não pense no futuro. Mas, a formiga também poderia ter aproveitado um pouco a estação se tivesse trabalhado menos. Aqui, estou descobrindo uma realidade onde pode-se guardar alimento para o inverno e aproveitar a vida. Descobri também que a cigarra pode trabalhar e fazer da sua música algo rentável e que também há aqueles que compartilham sua comida quando o outro não conseguiu guardar o suficiente.  

 

Aqui, já quase esquecendo do horário comercial, divido com você a seguinte nota mental: sendo você uma formiga ou uma cigarra, qualquer esforço só valerá a pena, no fim da nossa curta passagem por aqui, se não esquecermos de duas coisas: equilíbrio e propósito.

 

Afinal, trabalho e dinheiro não são fins, mas meios.  

 

Veja o texto 10, clique aqui

 

P.S: quer saber mais sobre o Workaway? Deixa sua dúvida nos comentários ou envie e-mail para contatopenabunda@gmail.com. 

Quer saber mais sobre mudança de carreira? Dá uma lida no texto da psicóloga Lívia Sales em Palavra do Psicólogo - mudança de carreira, por onde começar? 

Share on Facebook
Please reload

TEXTOS RELACIONADOS

Please reload