(Re)nascer aos 30: Depois de um pé na bunda, Cacau Ribeiro olhou para o retrovisor e viu que o caminho que havia traçado não a levaria ao "arco-íris". Muitos carimbos no passaporte e (re)descobertas depois, ela renasceu. Clique aqui e acompanhe do começo.

Sobre perdoar-se, dia 8

16.10.2017

​​Ninguém deseja fazer algo imperfeito, ninguém deseja errar. Muitos falam sobre o quanto ser o melhor é importante enquanto pouco se fala sobre como lidar com o fato de que não é possível ser bom em tudo. Pouco se ensina sobre como lidar com os próprios erros.  

 

Eu não planejei ser mãe aos 18 anos, mas depois que isto aconteceu tive que fazer algumas escolhas: 

 

- Eu escolhi estudar e trabalhar o máximo que pudesse porque alguém tinha que ser responsável por nós duas;  

- Eu escolhi que precisava curar minhas feridas para sentir-me forte para ela.

 

Os problemas iam aparecendo e como uma máquina programada segui meu caminho sem parar para pensar e sem olhar para trás por muitos anos. Hoje, sentada em um banco que fica em frente ao Templo de Zeus, olho para trás e não consigo segurar as lágrimas. Afinal,  ao escolher, recebi o pacote completo: o que não escolhi.

 

- Eu não escolhi que eu sairia de casa as 6 da manhã e que só chegaria as 11 da noite (quando ela, muitas vezes, já estava dormindo);

- Eu não escolhi que me sentiria insegura e iria tentar preencher o vazio que sentia com um outro alguém;

- Eu não escolhi perder grande parte da infância dela ou por falta de tempo, falta de energia ou paciência.

 

Aqui tenho lido e escutado muito sobre a história de uma mulher que decidiu não ter marido ou filhos para poder ser ela mesma. Embora isso seja bem atual, trata-se da história da deusa Atenas. Segundo o mito, a deusa decidiu manter-se virgem por toda a eternidade pois a mesma não teria como participar das guerras caso engravidasse. 

 

Como Atenas, ao dizer sim a resolução de problemas, disse não para algo que também era importante para mim. Hoje olho para minha filha, já com a mesma idade que eu tinha quando ela nasceu, e penso que poderia ter feito tudo diferente. Porém, não posso esquecer que fiz até mais do que poderia fazer levando-se em consideração a maturidade, as possibilidades e a força que tinha naquele período.
 

A gente não escolhe não fazer algo com perfeição ou passar pela dor do luto, mas a gente escolhe se vai só chorar pelo leite derramado (sim, chorar faz parte!) ou se vai seguir em frente, seja com dor, seja com derrotas, seja sem amor, mas que nunca seja sem perdão.


Que após esses 18 anos eu tenha conseguido, de alguma forma, ensiná-la que o amor é mais sobre descobrir o quanto imperfeitos somos, para que possamos ser pessoas melhores. Que o amor é sobre perdoar, perdoar-se e ser perdoado.

 

Afinal, se até Atenas (a Deusa da sabedoria e da guerra) permitiu-se, porque nós que precisamos muitas vezes ser tudo ao mesmo tempo (mães, pães, bem-sucedidas, lindas, sensuais, felizes, boas cozinheiras, inteligentes,  etc.) temos que nos cobrar tanto? 

 

Que não esqueçamos das nossas batalhas e que somos Deusas mesmo que o arroz queime, o projeto atrase, a depilação não esteja em dia e o menino coma terra (ou até coisa pior)!  :)

 

Veja o dia 9, clique aqui

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