(Re)nascer aos 30: Depois de um pé na bunda, Cacau Ribeiro olhou para o retrovisor e viu que o caminho que havia traçado não a levaria ao "arco-íris". Muitos carimbos no passaporte e (re)descobertas depois, ela renasceu. Clique aqui e acompanhe do começo.

Sobre medo e Brad Pitt, dia 6

27.09.2017

Quando um relacionamento acaba ou perdemos algo (um parente querido ou um emprego) passamos também pelos estágios do luto: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação (saiba mais em O Luto e suas Fases)

 

De tanto passear em cada um dos estágios acabei por esbarrar, meio sem querer, em outro sentimento: o medo. Este também passou a ser um companheiro fiel das horas difíceis, tendo o poder, muitas vezes, de conseguir ser mais forte que todos os outros citados. Afinal, entre chorar pelo leite derramado e lutar pela sobrevivência, instintivamente acabamos por optar pela última ação.

 

Se você sente uma dor no pé, mas acabou de levar um puxão de cabelo, por um certo tempo uma dor acaba por "passar por cima" da outra. Este é o primeiro efeito do medo sobre a gente. O segundo é: poucos sentimentos são mais fortalecedores do que a sensação de superar algo que antes temíamos. E não é que o danado do medo pode tornar-se um grande aliado!

  

Depois de passar pelo luto (sim, você não tem como fugir dele) comecei a brincar de cutucar o amigo medo. Há sete dias atrás, depois de duas horas de avião, uma hora de metro e da ajuda de um velhinho que me indicou como ir a pé para o meu destino no lugar de me indicar como ir de metrô, eu estava completamente cansada e perdida. 

 

Já perdendo as forças por causa do peso da mala, escutar "no English" e já sentindo-me apavorada com aquela quantidade de gente, carros, pichações, poeira, barulho e sentindo uma "refrescância a la Piauí" consegui alguém que falava inglês e pude, enfim, chegar até a casa que seria meu lar nos próximos dias. 

 

Sim, caro leitor: novo recomeço. Cá estou em um outro país. Cheguei aqui sem conhecer ninguém, não falo a língua, não entendo o que está escrito em nenhuma fachada (nunca fazer compras no supermercado foi tão difícil!) e depois da jornada que acabei de contar chegou a hora de bater na porta de uma pessoa que oferece moradia de graça em troca de 4 horas de trabalho por dia, 5 dias por semana.

 

Bom, é claro que senti muito medo. Afinal, quando a esmola é demais o santo desconfia. Tudo parecia perfeito: meu chefe foi super simpático durante a entrevista por videoconferência, o local é bem localizado e eu não teria que lavar pratos e banheiros ou vender meu corpinho (ou doar nenhum órgão). O trabalho consistia em fazer o que amo e faço bem: planejamento de marketing de um produto que será lançado em breve.

 

O Theo (meu chefe) prontamente abriu a porta, um rapaz carregou minha mala por mais alguns degraus (o apartamento fica no quarto andar). Conheci ao longo do dia meus companheiros de aventura (um brasileiro, três argentinos, uma italiana e um espanhol) e a noite saí para um passeio mágico por aquelas mesmas ruelas que me deixaram apavoradas quando cheguei aqui.

 

Agora, sete dias depois desta experiência e, e ainda muitoooo viva (órgãos inteiros e intactos), não tenho palavras suficientes para expressar a sensação maravilhosa que sinto por estar "pulando esta fogueira" e o quanto este lugar é mágico.

 

Já havia falado aqui no texto Tinder e meu marido sobre brincar de fazer coisas novas, mas queria reforçar sobre o quanto o novo assusta. Só em pensar em "pular algumas fogueiras" cheguei a ficar paralisada. Não quero que penses que passar por um luto e enfrentar seus maiores medos será fácil, porque não será mesmo. Eu sinto medo o tempo todo! Mas, escolhi brincar de lutar contra ele e o resultado tem sido maravilhoso: nunca me senti tão forte e tão viva em toda minha vida. Por isso, convido você a fazer a mesma coisa: brincar de "pular fogueiras". Escolha uma montanha russa e aproveite bem a adrenalina da descida.  Solte os braços e grite. Vale até fazer xixi nas calças, só não vale desistir, ok? 

 

Ahh, ainda não disse onde estou. Mas, vou dar para você uma boa pista (além das que já dei acima discretamente): foi o Brad (também conhecido, pelos não tão íntimos, como Brad Pitt) que despertou em mim o interesse por este país. Em uma tarde do passado (antes mesmo de ele me trair com a Jolie), vê-lo em um filme (especialmente a parte em que ele estava com pouca roupa) acabou por despertar em mim a curiosidade por este lugar. Depois do filme, li um livro, outro e outro, assisti outros filmes ligados ao tema e cá estou fazendo a minha própria história. Meu Brad também é cultura, nunca duvide disto!

 

Bom, por enquanto, usem a imaginação e tentem adivinhar. Vale colocar seu palpite aqui ou no Instagram e aguardem cenas do próximo capítulo (clique aqui e veja o Dia 7 do Diário de Viagem). Ainda tenho muito para contar sobre este meu novo destino!

 

 

Não deixe de me acompanhar neste aventura aqui e no Instagram! Tem sido maravilhoso descer esta montanha russa com vocês! 

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