(Re)nascer aos 30: Depois de um pé na bunda, Cacau Ribeiro olhou para o retrovisor e viu que o caminho que havia traçado não a levaria ao "arco-íris". Muitos carimbos no passaporte e (re)descobertas depois, ela renasceu. Clique aqui e acompanhe do começo.

Sobre decidir, dia 1

09.09.2017

 

Dizem que nascer é doloroso. Não lembro, mas não duvido. Saímos do conforto da barriga da nossa mãe para este mundão de meu Deus! Não tem como não chorar!

 

Com o tempo, você acaba entendendo que aquele foi só o primeiro de muitos nascimentos dolorosos que irá enfrentar na vida.

 

Aos 30 e poucos eu tinha certeza de que não seria mais necessário ter que recomeçar, até que .... a vida me deu um empurrão (na verdade, uma baita rasteira) e cá estou: levando a tapinha na bunda para que este novo ser abra o berreiro.

 

Em abril, abri meus olhos (só um pouco, porque a verdade viria em doses cavalares depois) e percebi que talvez meu relacionamento de 14 anos estivesse chegando ao fim.Ele foi embora e me deixou apenas com as mentiras que eu contava para mim nos últimos anos.

 

Dois meses depois (e uma cirurgia no meio) fui demitida de um bom emprego, em uma boa empresa. Para quem encontrou no trabalho a segurança do “sou capaz” e trilhou um caminho do tipo “devagar e sempre, não esteja no mesmo lugar” (que me rendeu várias promoções), levar um pé na bunda é assustador. Você olha para trás e se pergunta: o que está acontecendo?

 

Nenhuma resposta vem. No lugar delas, uma voz ecoa: - Você está no caminho errado! Está na hora de parar de ser formiga e passar a ser quem você realmente é.

 

Quem sou? Esta resposta também não vem. Pânico! Senti-me abortada! Era real e oficial, “o mundo” realmente queria “matar-me”.

 

Hoje escrevo da mesinha de um avião 4 meses depois do fim (ou do começo).

Com uma conta bancária cujos valores apenas diminuem (saudade dos 17 anos de dinheiro entrando na conta todo mês) e sem ter previsão nenhuma de mudança neste cenário, decidi que me daria “o luxo” de renascer com chave de ouro.

 

Decidi que agora (e não depois de morrer novamente, mesmo estando viva, ou morrer de verdade) é a hora de deixar que o amanhã aconteça sem o conforto da barriga da placenta da minha mãe. É a hora de apontar para os meus sonhos mais profundos (guardados lá, porque já não acreditava que fosse capaz de realizá-los). Afinal, tudo que me dava segurança foi-se. O que tenho mais a perder?

 

Voltar a vida quando se morreu ainda com ar nos pulmões não é fácil. Todo renascimento é uma árdua aventura. Pensar nos desafios que terão que ser enfrentados chega a paralisar quem precisa enfrentar esta realidade por dias (seguidos e/ou alternados e que parecem infinitos). Dar qualquer passo parece pedir um esforço sobre-humano.

 

Decidi, então, que seria um dia por vez até o final da minha vida ou até que eu voltasse a viver de fato.

 

Decidi que talvez esta seja a história da minha vida (ou melhor dizendo, de quando passei a viver de verdade) e que seria a hora de dividir isso com você, que como eu, também passou ou está passando por isto. Afinal, o dia começa para todos nós e ninguém (sendo “abortado” ou não) estará de fato vivo se não “renascer” ao amanhecer.

 

Quem sabe a gente não se ajuda?

 

Veja o Dia 2 clicando aqui

 

Acompanhe-me nesta aventura aqui e no Insta @cacautells.

 

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