(Re)nascer aos 30: Depois de um pé na bunda, Cacau Ribeiro olhou para o retrovisor e viu que o caminho que havia traçado não a levaria ao "arco-íris". Muitos carimbos no passaporte e (re)descobertas depois, ela renasceu. Clique aqui e acompanhe do começo.

Sobre acreditar, dia 3

14.09.2017

 Estes dias lembrei que quando eu era criança eu adorava fingir que falava outra língua. Na pré-adolescência eu e a Andreia (você ainda vai ouvir falar muito sobre ela aqui) chegamos a ir a praia algumas vezes e combinamos a seguinte travessura: fingiríamos falar uma outra língua. Chamaríamos um vendedor ambulante e uma iria traduzir para o vendedor o que a outra estava pedindo. 

 

Imagine a cena: Praia do Futuro, anos 90 (não façam contas, por favor!). Uma magrela branquela e uma magrela com um bronze que já veio de fábrica (sempre amei esse bronze dela) sentadas em uma toalha (íamos sozinha a praia, aos 12 mais ou menos. Você consegue acreditar?). Lá vem o vendedor de sanduíche. Eu olho para Andreia e solto algo como:

 

-Blatrata bara abatu quera mere blobs trout (Meu povo, claro que não lembro o que pronunciei. Foi só para ilustrar! Rs).

 

Andreia, a tradutora, olha para o rapaz do sanduíche e diz: - Ela vai querer um de frango e eu também.

 

Em nosso "idioma" fingimos conversar depois sobre o preço e logo depois o rapaz foi embora. Rimos e nos divertimos bastante neste dia. 

 

Bom, alguns anos depois (não façam as contas) estou eu em mais um dia de aventura e em mais um avião. Saí de São Paulo em um voo de 9 horas para um novo destino. Ao meu lado um rapaz bonito e alto que fala inglês (ele passou um tempão no telefone falando com alguém antes de decolarmos) e uma moça ao lado. Sim, sou a sofredora da cadeira do meio em um voo de 9 horas. 

 

Depois que ele largou o telefone (meu Deus que planos mágicos são esses, ele quase não desliga!) trocamos algumas palavras e assim continuamos durante todo o voo.Ele perguntou de onde eu vinha e qual seria meu destino final. Contei sobre meus planos de viagem e trocamos algumas palavras sobre os destinos (que ele prontamente elogiou).

 

A moça também era brasileira (com um inglês impecável). Ajudamos o Mat (acho que esse era seu nome) a escolher o almoço (a aeromoça não sabia explicar o que era uma polenta. Ainda bem que a amiga do lado sabia, porque eu soltei logo que o almoço era surpresa).

 

Eu faria uma conexão em Dallas (Texas) e eu ficaria apenas 8 horas na cidade. Levando em consideração o tempo de passar pela imigração na chegada e o tempo do checkin do novo voo eu teria menos de 5 horas lá. Para piorar o cenário, cheguei as 5 da manhã e absolutamente nenhuma loja abre este horário em Dallas (o outlet que fica ao lado do aeroporto e é parada certa para quem quer fazer compras em Dallas, abriria apenas as 10:00).  O desafio era conseguir fazer compras e andar pela cidade neste cenário. 

 

Bom, procurei a Ross (Ross, Dress for Less) que abrisse mais cedo (a maioria abriria as 10:00 e como meu voo seria as 13:40 não daria tempo) e uma Apple que ficasse próxima a ela. Bingo, encontrei uma Ross a 30 minutos de distância (de carro) do aeroporto que abre as 8:00. Eu teria umas 2 horas para comprar roupas e ainda daria para passar na Apple. Assim o fiz. Mesmo me sentindo na maratona do Gugu, tudo deu certo. Com a antecedência necessária eu consegui voltar ao aeroporto de Dallas e peguei meu outro voo.

 

E o que você que está ensaiando um recomeço tem com isso?

 

Bom, este é um texto sobre sentir-me a Mulher Maravilha. Sim, não vou pedir perdão por sentir-me o máximo ou pedir perdão por parecer não humilde agora: EU FUI FODA!

 

Quando tudo aconteceu eu poderia passar horas fazendo textos sobre o quanto não era capaz, sobre o quanto fui culpada por tudo e sobre como eu não seria capaz de fazer mais nada na minha vida. Hoje eu e você vamos fazer uma brincadeira diferente. Vamos brincar de dizer sem medo de irmos para o inferno por estarmos sendo pouco humildes que somos FODA.

 

Sim, muitos anos se passaram até que eu e Andreia pudéssemos falar outra língua. Seguimos caminhos diferentes, mas isso acabou acontecendo. Eu decidi me dar de presente estudar inglês aos 31 anos e com menos de 4 anos de curso sou capaz de passar horas falando sobre minha vida com alguém em um avião, pedir comida, conversar com os taxistas e ainda fazer piada com a oficial da imigração. Além disso, defini uma estratégia que meus amigos de voo não foram capazes de bolar e fiz o que queria. Por isso, senti-me FODÁSTICA! 

 

Isso não me torna melhor do que ninguém, claro que lembro disto. Mas, torna-me uma versão melhor de mim e tenho a certeza de que você que me lê agora é FODA por muitas coisas e eu me sinto muito feliz em fazê-la(o) lembrar disso. 

 

Dependendo do estágio em que esteja talvez seja difícil fazer este exercício agora. Lembro bastante que minhas amigas (também conhecidas como Anjos) tentavam a todo custo lembrar-me disso quando eu estava enfrentando os piores dias. Naquela época, eu não era capaz de assimilar o que elas falavam.

 

Por isso, não deixe de anotar agora no seu caderninho, na agenda ou não deixe de colocar um alarme no celular com o lembrete: lembrar-se do porque eu sou foda. Uma hora, alguma história como a minha vai vir e você aos poucos vai lembrar de quem você é e que é uma mulher da porra. E sim, isso será essencial para que você não entre em pânico ao cogitar executar uma daquelas façanhas que parecem impossíveis.

 

Vamos acreditar eu e você que somos capazes de fazer o que quisermos  e de fato iremos consegui-lo.

 

 

P.s: Sou mais corajosa que fluente. Enfrente seus medos, be brave. Você vai se surpreender!  

 

Veja o Dia 4 clicando aqui.

 

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